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EU E A SEKAI KYUSSEI KYO

 

 

A Igreja Sekai Kyu Sei Kyo é completamente diferente das outras religiões, e quem nela ingressar entenderá por quê. Mas em que aspecto ela difere das demais? No momento ainda não posso entrar em detalhes, mas falarei em linhas gerais.

Em primeiro lugar, observando bem as religiões existentes, parece que elas se classificam em dois tipos. A umas nem cabe o nome de religião, tal a sua simplicidade; trata-se, em poucas palavras, de fé passiva. É aquela que consiste em ir ao templo rezar de vez em quando, receber talismãs e amuletos, queimar incenso, ver a sorte e, se a pessoa tem posses, mandar executar músicas sacras e oferendas e voltar para casa agradecida, sentindo-se bem. É uma fé popular, que se costuma chamar de devoção. Entretanto, esse tipo de fé pode ser considerado religião, pois, no fundo, possui normalmente uma estrutura religiosa. O outro tipo poderia ser chamado de fé pura. Nela se faz o registro de todos os fiéis, havendo dirigentes, funcionários, ministros e até encarregados de difusão, que se dedicam profissionalmente às atividades religiosas. Constitui, portanto, genuinamente, uma religião. Ao contrário da fé passiva, seus fiéis agem com sinceridade e, quando se aprofundam, dedicam-se fervorosamente, de corpo e alma, às suas tarefas. As antigas, em sua maioria, são poucos atuantes, devido, talvez, à mudança dos tempos; algumas, segundo dizem, só a muito custo conseguem manter-se na atual posição. As recentes foram fundadas aproximadamente do fim do xogunato ao início da Era Meiji (1867), e são as que se apresentam ativas e progressivas. Entre elas, destaca-se o xintoísmo. No campo do budismo, só uma parte da seita — Nitiren — apresenta algum fôlego; as demais são praticamente inativas.

Num rápido exame das religiões, observamos que elas apresentam várias formas, mas em geral têm como alicerce os ensinamentos de seu fundador ou o espírito que norteou sua fundação, os quais são divulgados e transmitidos aos fiéis. Estes, por sua vez, oferecem-lhes sua devoção, em agradecimento pela proteção recebida de Deus. Obviamente não se pode generalizar, pois até mesmo na fé existem altos e baixos.

Concordamos plenamente que todas as religiões têm como objetivo a concretização de um mundo melhor e por isso tentam satisfazer o conceito de felicidade do homem. A maioria, entretanto, toma como principal fator o aspecto espiritual, demonstrando pouco interesse pelos benefícios materiais.

A verdadeira salvação

Na Igreja Sekai Kyu Sei Kyo, não negligenciamos de maneira alguma a salvação do espírito, mas julgamos que, salvando o homem apenas espiritualmente, sua salvação não é perfeita, ou seja, ele não está realmente salvo. Temos de salvar-lhe também a parte material, e neste ponto é que reside a grande diferença entre a nossa religião e as demais. Ainda que como ser humano seu espírito esteja salvo, essa idéia não basta para ele ser verdadeiramente feliz. Numa sociedade complexa como esta em que vivemos, não se sabe quando tal felicidade será destruída, e isso está claramente provado pela realidade que nos cerca.

Exemplificando, há pessoas que adoecem, que são roubadas, que têm prejuízos sendo enganadas por indivíduos inescrupulosos, que sofrem devido a elevadas taxas de impostos, etc. No caso dos impostos elevados, podemos apontar, entre outras causas, a existência de malfeitores, que justifica a necessidade de polícia e tribunais; o surto de muitas doenças, cujo combate requer a aplicação de dinheiro; uma grande guerra provocada por pessoas que se desviaram do caminho correto, acarretando despesas decorrentes de indenizações, e assim por diante. Devido a tais fatores, atingir um estado de segurança e de paz espiritual torna-se utopia. Portanto, num mundo como este, se não houver salvação espiritual e material, não se poderá obter a verdadeira felicidade. A nossa Igreja, de acordo com o próprio nome, promove a salvação em ambos os aspectos. Individualmente, isso se expressa através de benefícios materiais; socialmente, significa melhoria da cultura. Entretanto, segundo a Revelação Divina, há um surpreendente erro na cultura moderna e que não há no mundo quem o perceba. Espantosamente o que se faz pensando ser bom, na verdade, é o contrário, e por causa disso a humanidade tem sofrido sérios danos. Em poucas palavras, o que se julgava contribuir para o aumento da felicidade acabava por resultar em aumento da infelicidade. Os fatos comprovam de modo claro o que estamos dizendo.

Houve um grande progresso da cultura, mas a felicidade do homem não só deixou de acompanhar esse ritmo, como também fez com que o seu sofrimento tendesse a aumentar cada vez mais. Se a cultura moderna foi edificada graças ao esforço conjunto de sábios, santos e outros grandes personagens que vêm se sucedendo há milênios, poder-se-á dizer que se trata de uma cultura do mais elevado nível. É difícil, portanto, imaginar que em seu conteúdo possa existir um erro marcante. Entretanto, como eu já disse, conhecendo o grande erro da cultura moderna, desejo, o mais breve possível, não só fazer com que maior número de pessoas o compreendam, mas também compartilhar-mos juntos a felicidade e, ao mesmo tempo, divulgar-lhes as diretrizes para a formação do Novo Mundo, caracterizado por uma cultura nova, ideal. Essa é a Vontade de Deus.

Agora vou falar sobre mim. Pelo que já passei em minha vida, sou uma pessoa comum, igual a tantas outras. Tenho, porém, uma vida tão mística, que não encontra paralelo na História de toda a humanidade. Digo isso porque me fizeram nascer com a grande missão de salvar o mundo, mas de modo completamente diferente dos famosos religiosos como Sakyamuni, Cristo e Maomé. Ou seja, recebi o poder de executar aquilo que esses grandes personagens não puderam realizar. Esta é a verdade, como todos os fiéis estão cientes.

Por exemplo, qualquer coisa que eu desejar saber, eu fico sabendo. Tomo conhecimento de tudo que for importante, a começar dos três mundos — Divino, Espiritual e Material — assim como também do passado, do presente e do futuro. É claro que isso está limitado ao que concerne à salvação da humanidade e à construção do Paraíso Terrestre. Antevejo como será o mundo daqui a um ou vários anos, e também o meu próprio destino. É até engraçado. E note-se, pela experiência que tenho tido até agora, que geralmente os fatos previstos por mim acabam acontecendo, isto é, os sonhos tornam-se realidade. Tenho elaborado e executado vários planos, e tudo tem corrido conforme os meus desejos.

Com relação à literatura, se penso em escrever um artigo, as palavras me fluem naturalmente, o quanto eu desejar. Como todos sabem, gosto também de compor poemas e curiosamente consigo compor com facilidade cerca de cinqüenta em uma hora. Gostaria, inclusive, de escrever poemas curtos como “haiku” e “kanku”, poemas satíricos, obras de ficção, dramas, etc. mas não o tenho feito por falta de tempo. Além desses gêneros, escrevo sátiras e comédias; como elas têm sido publicadas, os leitores devem conhecê-las. As orações entoadas pelos fiéis também são de minha autoria, e parece-me que, apesar de eu não ter tido, anteriormente, qualquer experiência nesse sentido, elas ficaram muito boas.

Por outro lado, já é do conhecimento de todos que estou construindo o Protótipo do Paraíso Terrestre de grande porte; nessa obra, as pedras, as árvores, as flores, enfim, tudo sou eu quem escolho e planejo. Naturalmente, o projeto do jardim e dos prédios e até a ornamentação também são trabalhos meus. O Templo Messiânico, que será erguido no Seisei-Dai em Atami, em fase de projeto, seguirá o estilo do arquiteto francês Le Corbusier, que nos últimos anos tem arrebatado a arquitetura no mundo inteiro, mas num estilo bem mais moderno. Portanto, quando o templo for inaugurado, deverá ser alvo da atenção mundial. Só de estar no local e olhar o terreno, os prédios e os jardins se projetam aos olhos, não havendo quase necessidade de pensar. Na verdade nunca estudei, nem ninguém me ensinou nada a respeito; entretanto, se quero fazer algo, imediatamente brotam, dentro de mim, excelentes idéias. Além disso, faço arranjos florais, pintura e escrita a pincel. Dessas atividades, a única que estudei um pouco foi pintura, mas nas outras sou totalmente leigo. Com relação à Política, Educação, Economia, Filosofia e Medicina, sei das coisas que irão acontecer até daqui a um século. Sei principalmente o erro em que está baseada a cultura atual e fico impaciente quando penso que, se ela fosse logo corrigida, a humanidade seria salva e a felicidade reinaria no mundo. Nada, porém, pode ser feito enquanto não chegar o tempo certo. Atualmente, seguindo a ordem Divina, estou apenas apontando a questão referente à saúde e os erros da agricultura, questões fundamentais para a construção do Paraíso Terrestre.

Utilização do espírito

O que eu acho mais misterioso em mim é que, utilizando o espírito, estou fazendo com que os fiéis curem as doenças. Os resultados são realmente excelentes. Cristo e muitos outros santos também praticaram milagres em relação às enfermidades; entretanto, na maioria das vezes eram curas de uma pessoa para outra. Ora, para uma só pessoa salvar milhões seria impossível; portanto, para salvar toda humanidade é preciso que seja concedida a cada indivíduo uma força ilimitada, capaz de eliminar as doenças. É o que estou fazendo atualmente, com resultados admiráveis. A expansão da nossa Igreja é a melhor prova do que digo. Como já falei, é uma obra que nem Cristo nem Sakyamuni puderam realizar.

Não pretendo dizer que a minha força seja superior à dos grandes santos, mas expresso a realidade tal como ela se apresenta, e isso porque, chegado o tempo, Deus me faz falar sobre o assunto. Quando penso por quê uma força tão grandiosa foi concedida à minha pessoa, sinto a enorme importância da minha missão. Naturalmente Deus não cria nada além do necessário. Tudo é criado e eliminado de acordo com as necessidades. Sendo essa a verdade, que eu sempre afirmo, fica bem clara a minha missão, determinada pelos Céus. A mim é dado conhecer todos os mistérios, sendo-me atribuído, de maneira ilimitada, o poder da profunda Inteligência Sagrada. Sob a Orientação Divina, estou trabalhando para levar esse fato ao conhecimento de toda a humanidade e edificar uma nova cultura ideal. Todavia, como o homem da atualidade possui uma inteligência muito desenvolvida, ele não iria aceitar que lhe dessem uma explicação de maneira simples como nos tempos antigos. Segundo a Vontade de Deus, é necessário mostrar-lhe milagres comprobatórios e, ao mesmo tempo, transmitir-lhe as teorias de forma que elas possam ser aceitas. É por essa razão que Ele faz ocorrer milagres em grande quantidade. Nesse sentido, por um lado apontam-se os erros; por outro, dão-se provas através de milagres. Sinto-me, portanto, extremamente grato e sensibilizado pela grandeza da Providência Divina.

Observando-se a Divina tarefa que no momento estou executando, não haverá qualquer margem para dúvidas sobre a veracidade das minhas palavras. Provavelmente a humanidade jamais sonhou com uma obra de tão grande porte e de salvação absoluta. Por conseguinte, se uma pessoa, mesmo tomando conhecimento dela, não consegue despertar, é porque é cega de alma e não terá possibilidade de ser salva pela eternidade. Além disso, se forem submetidos, num futuro próximo, ao supremo perigo representado pelo “Fim do Mundo”, aqueles que não estiverem preparados serão tomados de pânico e irão se arrepender, mas aí será demasiado tarde.

 

Revista Chijô Tengoku nº 18 — 25 de novembro de 1950

 

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