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A RESPEITO DAS DÍVIDAS

 

 

Como tenho dito várias vezes, durante longo tempo sofri por causa das dívidas, e posso dizer que não há nada mais horrível. Talvez todos passem por essa experiência, pois, quando se contrai uma dívida, é muito difícil saldá-la.

Ao fazer um empréstimo, a pessoa pensa em pagar o mais rápido possível, mas, ainda que consiga o dinheiro suficiente, é próprio do ser humano não fazê-lo tão facilmente. Pensando em empregar esse dinheiro, ela deixa o tempo correr, acreditando que poderá pagá-lo depois de lucrar mais um pouco. Assim, arranja pretextos que lhe convêm. Se, por felicidade, a pessoa consegue pagar a dívida assim que obtém a quantia suficiente, ganha a confiança daquele que lhe emprestou o dinheiro, o qual se mostra disposto a conceder-lhe novo empréstimo. Então, ela pede mais dinheiro, elevando a quantia.

O dinheiro nunca entra de acordo com o previsto, mas sempre sai de acordo com o estabelecido, e é por isso que não se consegue devolvê-lo no prazo estipulado. Uma vez aprisionada pelas dívidas, não é fácil a pessoa desvencilhar-se delas; por fim, torna-se um hábito pedir dinheiro emprestado. Existe até quem se sente mal quando não tem dívidas. Talvez, em dez pessoas, não haja uma só que, tendo feito uma dívida, consiga livrar-se desse hábito para sempre.

Atualmente, a maior parte dos problemas sociais tem origem nas dívidas contraídas. Dizem que a maioria, senão todos os casos judiciais, são causados por elas. Por conseguinte, a primeira condição para eliminar os conflitos que existem no mundo é fazer todo o possível para não contrair dívidas. Quando elas forem inevitáveis, devemos saldá-las o quanto antes. Se todos agissem assim, formar-se-ia uma sociedade feliz e diminuiriam os problemas das pessoas.

Outro fato que eu gostaria de frisar é que as dívidas encurtam a vida. O falecido Sr. Kihatiro Okura sempre dizia isso, e realmente é a pura verdade. Nada obscurece tanto o espírito do homem como as dívidas. Tomando como exemplo a minha própria experiência, após libertar-me delas, senti-me como se tivesse saído de um longo período na prisão.

 

25 de fevereiro de 1950

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