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A CAUSA DO PECADO ESTÁ NOS MEDICAMENTOS

 

 

Provavelmente o título deste artigo cause muito espanto, pois nem em sonho as pessoas poderiam imaginar que haja relação entre o pecado e os medicamentos. Vou explicá-la.

Sempre digo que remédio é veneno. Quando ele é introduzido no corpo, suja o sangue; sujando-se o sangue, o espírito se macula; como seu espírito está maculado, a pessoa sente indisposição. Isso é perigoso, pois acabamos ficando irritados, esbravejamos com facilidade, o que resulta em conflito. Se estamos bem, ainda que sejamos provocados, as coisas se ajeitam entre risos; ao contrário, se estamos mal-humorados, estouramos pelos motivos mais insignificantes. Dessa maneira, o homem depende de seu estado de espírito para tornar-se alegre ou triste. Não podemos menosprezar tal aspecto, pois ele também tem relação com a sorte ou o azar. No relacionamento diário entre as pessoas, não há nada mais importante que os sentimentos, pois deles pode resultar a separação de um casal, brigas familiares, atritos entre amigos e até casos piores como perda de emprego. Ninguém desconhece, também, a grande influência dos sentimentos sobre a confiança dos superiores em seus subordinados, nas empresas ou repartições públicas, ou sobre o bom relacionamento entre colegas de serviço, a preferência dos fregueses por determinado comerciante, o desempenho de um técnico, o êxito nos estudos, etc. Essas situações são habituais, mas, com o seu aumento, pode haver conseqüências graves.

Muitas pessoas comuns, que não passaram por suficiente aprimoramento, acabam procurando estimulantes na tentativa de disfarçar seu mal-estar. O mais freqüente é a bebida e depois o jogo. Ultimamente, a moda das corridas de cavalos, de “pachinko” (jogo mecânico) podem ser explicadas dessa forma. Há indivíduos que, ao passarem a ganhar bem e ocupar certa posição social, vivem luxuosamente e buscam estímulos em diversões na companhia de mulheres. É claro que isso acarreta despesas, e eles acabam procurando obter dinheiro por meios ilícitos, incorrendo em apropriação indébita, fraude, corrupção, etc. Mais o mais grave é o aparecimento de pessoas que matam até mesmo por quantias insignificantes. Observando tais fatos, muitos dizem que na sombra dos crimes sempre há mulheres, mas eu diria que atrás deles estão os medicamentos. Devido à procura de estímulos cada vez mais fortes, proliferam as diversões de baixo nível, que, atualmente, ao contrário dos tempos antigos, tornam-se facilmente acessíveis, devido à facilidade de locomoção. Acrescente-se que, em decorrência da abolição das antigas restrições sociais, muita gente acha tolice levar uma vida séria e honesta. Esta é a condição social de hoje.

Falei acima sobre aspectos superficiais e visíveis da sociedade, mas quais serão os seus aspectos obscuros? Temos uma situação bastante séria, a qual, em grande parte, é causada pela doença. Como o homem moderno toma remédios e injeções às cegas, as doenças proliferam, crescendo o número de criaturas com indisposição. Dessa forma, aumentam as despesas médico-hospitalares, que, aliadas à falta de trabalho, diminuem a receita das pessoas, levando-as a fazer empréstimos e causar prejuízos ao próximo. A vida, assim, vai se tornando mais desagradável. Como o tratamento médico é apenas paliativo e não cura o mal pela raiz, a doença tende a se prolongar e, nessa angústia da falta de recursos, muitos praticam furtos; os indivíduos de caráter fraco acabam se suicidando, sendo que, às vezes, ocorre o suicídio de uma família inteira. Tragédias desse tipo têm movimentado o noticiário dos jornais, e as mais freqüentes são causadas pela tuberculose.

Analisando sob este ângulo, podemos concluir que a causa do crime é a indisposição, e a causa desta, o remédio. Assim, espero que tenham compreendido o título do presente artigo.

 

Jornal Eikô nº 142 — 6 de fevereiro de 1952

 

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