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A RESPEITO DO PARAÍSO TERRESTRE

 

 

Observando a sociedade atual, como o demonstram os jornais e, diariamente, noticiários de rádio, não é que as coisas que não prestam são muitas? Como é do conhecimento geral, além das guerras, podemos enumerar, por cima, a corrupção do funcionalismo público, assassinatos, assaltos, embustes, furtos em lojas, suicídios, inclusive de famílias inteiras, tuberculose e doenças contagiosas, carência de arroz, falta de moradia, escassez de moeda, opressão fiscal... As boas notícias são raras como estrelas no céu da manhã. Perguntamo-nos, então, por que esta sociedade ficou assim? Haverá, de fato, vários motivos, mas, em suma, é a decadência da Moral, é a evidência do grau do rebaixamento do nível humano. Ultimamente, a intelectualidade e os educadores passaram a ter interesse pela questão. Uma das causas poderia estar nos excessos da ideologia liberal do pós-guerra. Por conseguinte, parece que os círculos competentes estão discutindo não haver outra solução para o momento, a não ser a restauração e o incentivo do Ensino e da educação moral e cívica. O que é de se estranhar é que, no Japão, não se busque jamais a resposta na religião para tais casos. No entanto, não é para menos. As religiões antigas são por demais impotentes, enquanto, nas modernas, a superstição e o charlatanismo parecem dominar. Conseqüentemente, não se encontra de maneira alguma o método de solução radical para o problema.

Contudo, eu estou tocando um projeto concreto, com vistas a colaborar para a resposta da questão, de um ponto de vista distinto. Têm-se, primeiramente, as diversões de um modo geral. Desnecessário mencionar, aqui, a necessidade que o povo tem da diversão, em qualquer época. Mas o caso é que, na sociedade hodierna, são numerosos os divertimentos baixos e vulgares. Não existe, de fato, inconveniente nenhum no teatro, no cinema, nos esportes, no jogo de go, no xadrez japonês, no mahjong, no pebolim ou outros. Penso, todavia, que se fazem enormemente necessários divertimentos mais elevados. Nesse sentido, temos os protótipos do Paraíso Terrestre, que atualmente esta Igreja está construindo em Hakone e Atami. Como já escrevi amiúde, estão edificando-se paraísos grandiosos e ideais, com a conjugação das belezas natural e artificial. Além do mais, trata-se de algo de tal maneira esplêndido, que talvez, até hoje, não houve quem idealizasse uma concepção em moldes semelhantes. Modéstia à parte, quem quer que se ponha fisicamente aqui, vem a se esquecer de tudo, embriagado pela atmosfera completamente distante do mundo vulgar e infernal: experimenta-se a sensação de estar por sobre as nuvens. Embora o projeto encontre-se ainda pela metade, todos o elogiam assim.

A obra de Hakone está prestes a ser concluída, mas, por suas dimensões serem diminutas, deter-me-ei na descrição mais acurada do projeto de Atami, em construção. Nos seus jardins de cem mil metros quadrados, rico em elevações e concavidades, estamos plantando árvores que dão flores, como ameixeiras, cerejeiras e azáleas, entremeando-as com outras de folhagem, preparando, também, canteiros de flores variegadas. Assim, com a chegada da primavera, não somente essa paisagem encantará a vista, mas a contemplação do panorama da Baía de Sagami ao longe permitirá dizer, sem exagero, ser este o jardim das delícias, grandioso e ideal. Além de tudo, em termos de posição, tal Paraíso Terrestre goza da melhor em Atami. Com vistas a abrilhantar ainda mais o conjunto, teremos um museu de belas-artes clássico que, na alvorada da conclusão, tornará necessariamente o Paraíso Terrestre centro da admiração de japoneses e estrangeiros. Portanto, qualquer pessoa que uma vez puser aqui os seus pés terá sua alma lavada das impurezas do hábito mundano e mitigado o seu espírito da aridez. Naturalmente, não apenas sua disposição com relação ao trabalho tornar-se-á vívida, aumentando sua eficiência, como também, espontaneamente, sua moral se elevará. O efeito sobre o espírito social, pois, será extraordinário.

 

Eiko, nº 131— 1º de janeiro de 1952

 

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